Cotidiano · Tecnologia

FALA QUE EU TE ESCUTO – A ERA DO AUDIOBOOK

Olá, domesticado leitor.

Hoje pensei em começar o post falando de sentimentos, mas o que são os sentimentos senão um vasto pacote de pipoca de microondas cujas pipocas nunca estouram do jeito certo e só se salvam punhados encharcados de sal?

Eu não quero ser o profeta dos sentimentos tecnológicos. Vamos mudar de assunto.

Em um tópico relacionado, soube que uma amiga minha, muito fã de Game Of Thrones segredou para mais de 500 amigos no Facebook que gostaria que o livro da série fosse um audiobook, para que ela então pudesse ouvir o livro enquanto cozinha e dá conta de tantas outras atividades domésticas corriqueiras e lúdicas do dia a dia de uma moça moderna e linda.

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Como conciliar a vida no condado e a vida moderna?

Não é interessante? Pois se tem uma prática tecnológica que me intriga (sem me seduzir) é o tal do audiobook. Me parece interessante ouvir histórias enquanto se cuida da vida. O sentimento ao ler é de entrega, esquecimento do mundo exterior. Como administrar isso tendo que ficar de olho nas panelas?

Vejam, não é uma crítica. Jamais criticaria uma amiga que vem de outro estado e ainda me traz cookies e outros sabores achocolatados. Não é isso. O fato é que acho mesmo intrigante conseguir ouvir uma história e ainda prestar atenção no resto do universo.

Senão, vejamos. Os audiobooks que sempre que vejo nas livrarias e bancas são de livros de auto-ajuda, ou histórias fofas de cachorrinhos sapecas. Até aí é fácil escutar toda a falação e continuar de olho na mistura. Se a história não exige muita atenção, acredito que o audiobook é até mais indicado que o livro regular, posto que você liberta as mãos e o cérebro pra outras atividades periféricas.

Agora, imagina que louco lavar a louça, por exemplo, ouvindo o audiobook de O Cemitério, do nosso valoroso Stephen King? Imagina a quantidade alucinada de louça que eu derrubaria a cada susto, a cada novo defunto voltando à vida e Deus que me livre todas aquelas descrições do cemitério maldito? Cê acha? Cê acha que eu tenho a habilidade de ficar sozinha na cozinha lavando louça e ouvindo as capetices do Stephen King? Isso que nem entramos no mérito de quem seria o narrador da história. Imagina que louco colocar o Derek Green pra narrar O Cemitério?

Tenho saúde emocional pra isso? Não tenho.

Pois mesmo Game Of Thrones me parece complicado acompanhar só com as orelhinhas. É que eu assisti alguns episódios da série e GENTE. É cheia de reviravoltas, loucuras, sangue, suor e magia a história, né? Se sou eu que tô no carro, parada no sinal vermelho retocando a maquiagem enquanto ouço GOT, chegaria no trampo feito um palhaço macabro e bêbado, tal qual estaria o estado da minha maquiagem.

Seria isso uma incapacidade minha, não conseguir amar os audiobooks? Serei eu a última da face da terra a ler no livro de papel, toda contentinha por carregar livro pesado na bolsa? O universo sendo tão gigante e imenso quanto nossas orelhas, posso me manter usando-as apenas para músicas e conversinhas secretas?

O que dirão os leitores do RMM? Estou louca pra ouvir. Mas escrevam, não me venham com podcast.

Tecnologia

ANDROID E A SOCIEDADE DE PICARETAS

Olá, sussurrante leitor.

Eis que bato em sua porta e te peço ajuda. Eis que chego esmigalhada de cansaço e te pergunto se nossas almas ainda são compatíveis no caso de um possível, mas pouco desejado, transplante de mentes. Seria mesmo isto perigoso para a minha integridade? E para a sua?

O que queremos, afinal, quando deixamos um estranho nos add em todas as redes sociais? Sedução, malícia, contatos no trabalho? Qual parte do ‘não converse com estranhos’ você não entendeu e por que me olhas com tanta maldade? Por acaso revirei seu lixo enquanto você dormia? Como tem tanta certeza de que fui eu?

O ser humano hoje não quer mais ficar sozinho um minuto que seja, ele quer pequenas cápsulas de companhia e amor, ele quer mentions, quer beijos virtuais, quer rodar o mundo e publicar fotos na hora, quer ter o bagde mais lindo, o sticker mais exclusivo.

Ilustração de Edward McGowan.
Ilustração de Edward McGowan.

Mas qual é o motivo disso?

Posso rir por você achar que eu tinha a resposta para esta pergunta?

Posso chorar por descobrir, angustiada, que não tenho resposta alguma?

Leitorzinho querido, o mundo é vasto. Vasto mesmo, coisa que não cabe no seu bilhete único. Por isso inventaram a internet. Pra fazer o mundo caber na sua vida. Só que não é fácil. É complicado. É todo dia. É esforço, disciplina e grana. É suor, simpatia e cerveja. É você e a tecnologia, de mãos dadas forjando uma vida melhor. Ou que pelo menos pareça melhor pra todos que seguem suas atualizações nas redes sociais.

A RMC (Rede Mundial de Computadores) exige cada vez mais de nós. Nos sentimos pequeninos se não temos o aparelho do momento, o app da moda, se não entendemos o meme que a gatinha tá falando. Quem é a hashtag do twitter? Não sabemos. Mas tentamos. Corremos atrás.

Comprei um smartphone. Poderia dizer que é o meu primeiro smartphone, já que o anterior também o era, mas não era tão esperto quanto o atual. Por que o meu novo smartphone vem com Android e é um mundo novo que se abre, são portas que se desbloqueiam e baterias que nunca carregam.

Vamos falar um tantinho sobre isso? Vamos. Precisa ser agora? Precisa.

Ao planejar a compra da picareta que irá cavar seu lugar no mundo digital muitas vezes somos compelidos a optar por ferramentas da Apple. Por ser mais caro e cool, é o wanna have inconsciente de todo cidadão que entenda dois centavos de tecnologia cibernética. O sentimento aqui é de ostentação e vem antes até do custo x benefício, já que o custo é alto e a vida útil dos apetrechos digitais é sempre curta (moda passa rápido).

Agora, se estamos falando de liberdade, doideira e espírito selvagem, estamos falando de Android. Mais acessível e malandrinho, o Android vem na contramão da mesmice na terra dos gigabytes. Apenas almas revolucionárias, como Che Guevara, Martin Luther King e Oscarito usavam Android. Já no mundo atual, temos grandes nomes como Eric Franco, Ana Guadalupe e outras pessoas que não tenho certeza. Mas já deu pra ilustrar que estou no time correto.

Vai daí que estou aqui com meu novo smartão, toda sapequinha, toda antenada e me pergunto: quais apps são legais para os usuários de Android? No que ela é feita, pego a pergunta no ar, rodopio e jogo no seu colo: quais apps você androider usa, segue, indica e lista?

Quem aqui bate no peito, dá uma reboladinha até o chão, volta, gira e diz na cara da sociedade: uso android e sou pleno de sabedoria! Quem? Se você é uma dessas pessoas que está a frente do seu tempo, cola aqui e me diz: quais apps legais você usa e me indica?

Como disse, é uma longa caminhada pela estrada de pixels. Será melhor se pudermos trilhá-la juntos.

Haja bateria.