Olá, rrrrrrocker leitor.
Eu gosto de Autoramas há muito tempo, tem mais de uma década. Eu vou a shows deles sempre que posso, já fui a quase dez shows. Em todos os shows o que eu sinto é uma catarse, que me domina da primeira música até a última e me faz sentir bem por dias. Você me domina, domina, "domimenina" / Você me domina, muito bem, menina (domina). Nunca fui em um show ruim deles.
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| Autoramas. Foto de Bruno Leão. |
Ontem fui em mais um show dos caras, lá no SESC Belenzinho. Foi lindo também por que não era uma balada. Era show e só. Quem estava lá era por que é fã de verdade deles. Dancei, cantei (berrei) e me diverti a noite toda. Foi quando finalmente entendi o por quê de Autoramas ser tão foda. Pode ser algo que não necessite de explicação, pode ser que não seja o motivo verdadeiro para alguns, mas vou dizer da mesma forma. Está certa a decisão, não tem mais discussão, essa é a minha versão da verdade absoluta.
A primeira coisa que vocês devem saber aqui é que a minha "crítica" se refere ao que a banda me faz sentir e não a qualidade musical dela - que é indiscutível. Que as músicas são instrumentalmente ótimas é fato e não vou entrar nesse mérito. Ok, tem gente que não gosta do tipo de rock da Autoramas. Eu entendo. Acho que não tenho nada a ver com isso, não / Nada a ver, nada a ver, isso não tem nada a ver.
Mas, a minha "descoberta" foi em relação as letras das músicas deles, que é sempre o que mais me importa em um banda. Não importa tanto como ela diz algo (em forma de rock, forró, axé), me importa o que ela diz. E a Autoramas me diz muito, sempre. Por isso gosto tanto dela. There's something in my head that I just can´t get rid off.
A coisa toda com a Autoramas, eu saquei ontem, é que eles falam sobre raiva. Mas não de um jeito queixoso, vitimizado. Não é 'nossa, estou sofrendo, mundo injusto'. Não. Eles falam sobre a vida ser uma merda, mas foda-se, vou dar um jeito nisso. Com um sorriso de canto de rosto, meio que tirando da cara de quem possa estar duvidando. Eu vou errando e consertando / Eu vou tentando / Eu vou vivendo.
É uma raiva de gente grande. De adulto. Depois do seu milesimo centesimo oitavo vacilo / Sempre acompanhado de um pedido de desculpas / Eu chego a conclusão de que na verdade é minha culpa / Por não ter me livrado de você há muito tempo atrás. É assim. Você assiste um show inteiro do Autoramas dando de dedo na cara imaginária dos seus (ex)amigos e pulhas eventuais. É a desforra rockabilly.
Por isso a catarse. Por isso todo show da Autoramas é foda e você sempre sai dele de alma lavada e roupas encharcadas. Só Autoramas te dá a chance de mandar o mundo tomar no cu enquanto você sorri e dança. Eu sou fã de dezenas de bandas, mas nenhuma me faz sentir como Autoramas faz. Com as músicas deles você percebe que ficar reclamando e chorando não é a saída. A saída é levantar, mandar um foda-se pra quem te faz mal e seguir a vida. Sem remorsos, sem dó. Isso é ser adulto. O resto é perfumaria. Atitude para mim é fazer acontecer.
Mesmo as músicas de amor são realistas. Não falam de um amor idealizado, mas sim do dia-a-dia, da vontade de estar juntos. Eu te adoro tanto / Você não imagina quanto / Quero ouvir uma canção / Que diz assim. Amor é pra somar. Não pra te fazer chorar por alguém que não te quer. As músicas de amor deles são, em sua maioria, sobre estar junto da pessoa - e não sobre ser trocado ou abandonado por ela.
Por fim, Autoramas nunca deixa de ser boa por que a gente nunca deixa de sentir raiva. Isso faz parte de estar vivo, está eternamento incluso no pacote. Por isso ela faz tanto sentido. Mudam os desafetos, mudam-se as mágoas, mas a vida continua sendo uma eterna gangorra entre se sentir mal e se sentir infinitamente bem. Na minha vida, cabe a Autoramas servir de trilha sonora pra me levar da primeira ponta até a outra dessa brincadeira.
A primeira coisa que vocês devem saber aqui é que a minha "crítica" se refere ao que a banda me faz sentir e não a qualidade musical dela - que é indiscutível. Que as músicas são instrumentalmente ótimas é fato e não vou entrar nesse mérito. Ok, tem gente que não gosta do tipo de rock da Autoramas. Eu entendo. Acho que não tenho nada a ver com isso, não / Nada a ver, nada a ver, isso não tem nada a ver.
Mas, a minha "descoberta" foi em relação as letras das músicas deles, que é sempre o que mais me importa em um banda. Não importa tanto como ela diz algo (em forma de rock, forró, axé), me importa o que ela diz. E a Autoramas me diz muito, sempre. Por isso gosto tanto dela. There's something in my head that I just can´t get rid off.
A coisa toda com a Autoramas, eu saquei ontem, é que eles falam sobre raiva. Mas não de um jeito queixoso, vitimizado. Não é 'nossa, estou sofrendo, mundo injusto'. Não. Eles falam sobre a vida ser uma merda, mas foda-se, vou dar um jeito nisso. Com um sorriso de canto de rosto, meio que tirando da cara de quem possa estar duvidando. Eu vou errando e consertando / Eu vou tentando / Eu vou vivendo.
É uma raiva de gente grande. De adulto. Depois do seu milesimo centesimo oitavo vacilo / Sempre acompanhado de um pedido de desculpas / Eu chego a conclusão de que na verdade é minha culpa / Por não ter me livrado de você há muito tempo atrás. É assim. Você assiste um show inteiro do Autoramas dando de dedo na cara imaginária dos seus (ex)amigos e pulhas eventuais. É a desforra rockabilly.
Por isso a catarse. Por isso todo show da Autoramas é foda e você sempre sai dele de alma lavada e roupas encharcadas. Só Autoramas te dá a chance de mandar o mundo tomar no cu enquanto você sorri e dança. Eu sou fã de dezenas de bandas, mas nenhuma me faz sentir como Autoramas faz. Com as músicas deles você percebe que ficar reclamando e chorando não é a saída. A saída é levantar, mandar um foda-se pra quem te faz mal e seguir a vida. Sem remorsos, sem dó. Isso é ser adulto. O resto é perfumaria. Atitude para mim é fazer acontecer.
Mesmo as músicas de amor são realistas. Não falam de um amor idealizado, mas sim do dia-a-dia, da vontade de estar juntos. Eu te adoro tanto / Você não imagina quanto / Quero ouvir uma canção / Que diz assim. Amor é pra somar. Não pra te fazer chorar por alguém que não te quer. As músicas de amor deles são, em sua maioria, sobre estar junto da pessoa - e não sobre ser trocado ou abandonado por ela.
Por fim, Autoramas nunca deixa de ser boa por que a gente nunca deixa de sentir raiva. Isso faz parte de estar vivo, está eternamento incluso no pacote. Por isso ela faz tanto sentido. Mudam os desafetos, mudam-se as mágoas, mas a vida continua sendo uma eterna gangorra entre se sentir mal e se sentir infinitamente bem. Na minha vida, cabe a Autoramas servir de trilha sonora pra me levar da primeira ponta até a outra dessa brincadeira.
