26 Fevereiro, 2012

A VERDADE ABSOLUTA SOBRE AUTORAMAS.

Olá, rrrrrrocker leitor.

Eu gosto de Autoramas há muito tempo, tem mais de uma década. Eu vou a shows deles sempre que posso, já fui a quase dez shows. Em todos os shows o que eu sinto é uma catarse, que me domina da primeira música até a última e me faz sentir bem por dias. Você me domina, domina, "domimenina" / Você me domina, muito bem, menina (domina). Nunca fui em um show ruim deles.

Autoramas. Foto de Bruno Leão.
Ontem fui em mais um show dos caras, lá no SESC Belenzinho. Foi lindo também por que não era uma balada. Era show e só. Quem estava lá era por que é fã de verdade deles. Dancei, cantei (berrei) e me diverti a noite toda. Foi quando finalmente entendi o por quê de Autoramas ser tão foda. Pode ser algo que não necessite de explicação, pode ser que não seja o motivo verdadeiro para alguns, mas vou dizer da mesma forma. Está certa a decisão, não tem mais discussão, essa é a minha versão da verdade absoluta.

A primeira coisa que vocês devem saber aqui é que a minha "crítica" se refere ao que a banda me faz sentir e não a qualidade musical dela - que é indiscutível. Que as músicas são instrumentalmente ótimas é fato e não vou entrar nesse mérito. Ok, tem gente que não gosta do tipo de rock da Autoramas. Eu entendo. Acho que não tenho nada a ver com isso, não / Nada a ver, nada a ver, isso não tem nada a ver.

Mas, a minha "descoberta" foi em relação as letras das músicas deles, que é sempre o que mais me importa em um banda. Não importa tanto como ela diz algo (em forma de rock, forró, axé), me importa o que ela diz. E a Autoramas me diz muito, sempre. Por isso gosto tanto dela. There's something in my head that I just can´t get rid off.

A coisa toda com a Autoramas, eu saquei ontem, é que eles falam sobre raiva. Mas não de um jeito queixoso, vitimizado. Não é 'nossa, estou sofrendo, mundo injusto'. Não. Eles falam sobre a vida ser uma merda, mas foda-se, vou dar um jeito nisso. Com um sorriso de canto de rosto, meio que tirando da cara de quem possa estar duvidando. Eu vou errando e consertando / Eu vou tentando / Eu vou vivendo.

É uma raiva de gente grande. De adulto. Depois do seu milesimo centesimo oitavo vacilo / Sempre acompanhado de um pedido de desculpas / Eu chego a conclusão de que na verdade é minha culpa / Por não ter me livrado de você há muito tempo atrás. É assim. Você assiste um show inteiro do Autoramas dando de dedo na cara imaginária dos seus (ex)amigos e pulhas eventuais. É a desforra rockabilly.

Por isso a catarse. Por isso todo show da Autoramas é foda e você sempre sai dele de alma lavada e roupas encharcadas. Só Autoramas te dá a chance de mandar o mundo tomar no cu enquanto você sorri e dança. Eu sou fã de dezenas de bandas, mas nenhuma me faz sentir como Autoramas faz. Com as músicas deles você percebe que ficar reclamando e chorando não é a saída. A saída é levantar, mandar um foda-se pra quem te faz mal e seguir a vida. Sem remorsos, sem dó. Isso é ser adulto. O resto é perfumaria. Atitude para mim é fazer acontecer.

Mesmo as músicas de amor são realistas. Não falam de um amor idealizado, mas sim do dia-a-dia, da vontade de estar juntos. Eu te adoro tanto / Você não imagina quanto / Quero ouvir uma canção / Que diz assim. Amor é pra somar. Não pra te fazer chorar por alguém que não te quer. As músicas de amor deles são, em sua maioria, sobre estar junto da pessoa - e não sobre ser trocado ou abandonado por ela.

Por fim, Autoramas nunca deixa de ser boa por que a gente nunca deixa de sentir raiva. Isso faz parte de estar vivo, está eternamento incluso no pacote. Por isso ela faz tanto sentido. Mudam os desafetos, mudam-se as mágoas, mas a vida continua sendo uma eterna gangorra entre se sentir mal e se sentir infinitamente bem. Na minha vida, cabe a Autoramas servir de trilha sonora pra me levar da primeira ponta até a outra dessa brincadeira.
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